Solitário ou Solidário?

No nosso último encontro, quando falamos das peripécias da minha primeira maratona, tocamos num assunto que gosto muito que é a solidariedade dos corredores de rua.

A maioria dos que não praticam imaginam que correr é uma atividade extremamente solitária e por isso penosa. Pois bem, é um grande equivoco!

A corrida de rua, depois que entra na rotina diária, transforma as atitudes deixando as pessoas mais relaxadas em relação a vida e seus relacionamentos.

Ficamos mais receptivos e menos timidos.

Com a prática das corridas exercitamos, além do corpo e da mente, os relacionamentos que a cada nova “corridinha” e dependendo do grau de timidez de cada um, aumentam com maior ou menor velocidade.

Aumentada a base de pessoas do nosso relacionamento abrimos o leque dos exemplos que por sua vez e aos poucos nos influenciam e mudam nossas atitudes. 

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Um bom exemplo do modo de agir dos corredores é a historia daquele cara da Avenida 23 de maio no dia da minha primeira maratona (veja no post anterior: 20 Anos Atrás ! Um pouco da história das corridas em São Paulo).

Outro bom exemplo é da “Turma do Fiore”, corredor das antigas que junto com a esposa, cunhadas e amigos há anos e em toda nova versão da Maratona de São Paulo, estão lá no km36 distribuindo frutas, na medida certa, a TODOS os corredores que por lá passarem. Quem é corredor sabe o que ação dessa turma significa – é sangue novo para quem se sente abandonado e lutando contra a vontade de parar. Para a “Turma do Fiore” é pura diversão e muita solidariedade! 

Outro exemplo está nas transmissões televisivas das corridas. Notem o pelotão de frente, lá estão 3, 4 ou 5 corredores lutando literalmente para vencer e abocanhar o prêmio que, para eles, é primordial pois são profissionais e vivem disso. 

Um parenteses: – Quando se corre profissionalmente “o buraco é mais embaixo” e ganhar é o foco e a sobrevivencia do atleta assim como a da sua familia.

200028838-001Presenciei inumeras vezes uma cena interessante: – quando eles, corredores profissonais, passam pelos postos de hidratação, um ou vários deles se utilizam de um copo d’água e após se servirem, oferecem ao “inimigo” do lado os goles finais.

Dá para imaginar um corredor de Formula 01 oferecendo gasolina para outro corredor? ou algo similar acontecer no futebol, no basquete ou em  outro esporte? 

Vocês se lembram do conhecido caso dos argentinos “solidários” que em um momento de bola parada ofereceram água para os brasileiros….. só que a água estava “batizada” e pior, anos mais tarde, o Maradona – o espertão de plantão – dá pessoalmente conhecimento do caso ao mundo como se essa “solidariedade” fosse o maior feito da “sua malandragem”… que bela figura esse Maradona!

De volta às corridas: – normalmente os corredores de elite tem sua hidratação especial preparada antes e são colocadas estratégicamente nos postos especiais disponibilizados pela organização para essa elite, mas as vezes uns goles d’água extras, em virtude da temperatura do dia é primordial inclusive para os corredores de elite e, oferecido “ao inimigo” que não conseguiu pegar o seu, pode representar senão o primeiro, um dos primeiros lugares no podium garantindo o sustento e a sobrevivencia daquele atleta que necessáriamente não é o que pegou o copo e sim o que aceitou a oferta. Perceberam onde pode chegar esse ato e mesmo assim, correndo risco, o acontecimento se repete.

É ou não uma maneira diferente de ver a vida!

Como citamos acima, em qualquer outro esporte isso não existe, ao menos que eu lembre. Muito pelo contrário, pegando de novo um exemplo do futebol, vimos corriqueiramente que se o atacante vai fazer o gol, o zagueiro dá-lhe um tranco que as vezes pela forma e violencia aplicada pode representar o final de carreira desse atacante. Não estou aqui metendo o pau no futebol, mas exemplificando uma realidade que é cultura em muito esportes, inclusive no futebol.

Nas corridas de rua o momento é diferente e a cabeça das pessoas mais ainda. Apesar de todos buscarem seus objetivos e afirmo – fazem tudo para isso seja possivel – são incapazes de negar um precioso e decisivo gole d’água, pois estão acostumados a lutar contra um só inimigo, o implacável relógio e não outro atleta!

Por essas e por outras reafirmo que a corrida de rua, por ter pessoas especiais, é um esporte solidário e não solitário!

Até mais sempre com Boas Corridas!

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