Por causa da Yuri, lá vem história….

Depois da última etapa do ALPHAVILLE RUNNING que aconteceu domingo – 16 de agosto – como sempre recebemos inúmeros emails, mas desta vez um em especial me chamou a atenção pela sua forma e conteúdo.

Vejam abaixo:

De: Yuri

Enviada em: segunda-feira, 17 de agosto de 2009 13:32

Para: Alfredo Donadio

Assunto: parabenização

Olá, Venho por meio deste parabenizar à corrida de domingo. Foi um excelente evento, a organização estava ótima. Deveria mesmo ter corrido, adorei a camiseta. Parabéns. No dia 03 de outubro tem a corrida Kids, vou inscrever minha irmã para correr.

Há se algum dia vocês precisarem de voluntárias pode contar comigo, estou à disposição para ajudar em eventos assim.

Parabéns. Abs.,

YURI CAROLINE

Pois é, a Yuri que não conheço pessoalmente, mas que falei por email algumas vezes e ao telefone dias antes da prova (ela estava com dúvidas para inscrever três corredores na modalidade grupo), acabou indo à corrida para acompanhar alguém e no dia seguinte, após ter presenciado o evento escreve um email nos parabenizando e, pasmem, se oferecendo para ser voluntária. Digo isso porque o voluntariado de um modo geral e particularmente em corridas de rua, não fazem parte da cultura do nosso país.

A atitude dela reviveu minhas lembranças e fez um “filme” passar pela minha cabeça que a partir de agora compartilho com vocês:

– Corra há anos, mas como rotina diária foi somente a partir do final dos anos 80 que para mim a corrida pegou de fato no breu.

Num post anterior (20 Anos Atrás) tem um pouco desse inicio e da historia das corridas de rua em São Paulo pois, lá relato o que foi a Maratona de São Paulo de 1.989. Bom, então, chega de papo e vamos direto para 1.993.

A História: – Já com duas maratonas no curriculum, foi em 1.993 que pela primeira vez fui correr a Maratona de Nova Iorque e lá, por vários motivos, me encantei de vez com as corridas de rua.

Naquela época já eram 30/33 mil corredores inscritos, dos quais 10 mil estrangeiros de todas as partes do planeta, inclusive do Brasil que contava com suas centenas de representantes. Dessas centenas de brasileiros a grande maioria, como Eu, residiam em São Paulo então vira e mexe encontrávamos algum conhecido, fato que deixava ainda mais familiar e festivo o clima geral do evento.

Nunca tinha visto nada igual e não tenho vergonha de dizer que me sentia um “caipira na cidade grande”. Era tudo cativante e de cair o queixo, a começar pela cidade que agora era ordeira e segura, afinal estávamos na época da Tolerância Zero do prefeito Rudolph Giuliani que tinha “limpado” literalmente a cidade. Além disso, nós corredores brasileiros, estávamos acostumado com poucos cuidados nos eventos e outros números de participantes nas provas.

Para vocês terem parâmetros, a Maratona de Blumenau no mesmo ano, na qual também participei, teve de 600 a 800 corredores, se tanto. Mas, não é esse o ponto. Não é pela quantidade de corredores que o evento me encantou, mas sim pelo conjunto da obra e principalmente pelas atitudes das pessoas – o grande diferencial – que permanece até hoje e faz desta prova o evento de corrida de rua mais conhecido e mais festivo do mundo!

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Continuando: – A entrega de kit era feita nos salões do Hotel Hilton e lá também funcionava a feira da maratona que era um grande showroom com produtos diversos.

Em outros salões, havia um lojão do New York Road Runner Club, organizadora da prova, onde podíamos comprar produtos para corredores com a marca do clube e da maratona. Aquilo tudo, ao menos pra mim, encantava, pois era muito fora da normalidade para os padrões das corridas que tínhamos no Brasil (estamos falando de 1.993, lembra?)

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Entre as várias novidades e curiosidades, tanto na entrega de kit como na feira ou no dia da prova, uma chamou mais a minha atenção: – eram as pessoas que nos recepcionavam e ou nos atendiam – havia alguns jovens, muitos senhores e senhoras (a maioria senhoras), todos muito “engraçados” e sem entrar no mérito da elegância ou do bom gosto que não é esse o caso, lá estavam eles e elas com suas roupas e adereços peculiares, inclusive alguns com pequenas luzes piscando presas ao cabelo (menores, mas muito parecidas com essas que hoje os ciclistas por aqui usam a noite). Bandeiras americanas nos paletós ou fincadas nos bonés, botons de todos os formatos e cores e, diversas outras coisas que indicavam o senso de humor e clima de boa vontade no receptivo. Eles, com esse estilo e monte de tranqueiras, descontraiam e contagiavam a todos, fazendo das ações mais corriqueiras um evento de proporções enormes.

Mais tarde, soube que esses bem humorados “senhores e senhoras” eram voluntários. Pessoas que se inscrevem durante certo período do ano anterior e após uma triagem eram escolhidas para trabalharem no Staff do evento. Eles “brigam” para participar, só pelo fato de estar lá doando o seu tempo para um evento que se tornara através dos anos um dos mais importantes da cidade e que movimenta alguns milhões de dólares em apenas 03 ou 04 dias de duração.

Para vocês entenderem como é levado a sério e é disputado o assunto Voluntários na Maratona de Nova Iorque, desde o inicio de 2009 eles estão recebendo inscrições para o evento de 2010, quando a prova estará completando 40 anos.

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“Voluntários são a alma da nossa organização, e nossos eventos realmente não pode ter êxito sem o trabalho duro e dedicação de nossos voluntários”. É isso ai, a mais pura e clara verdade. Vejam em http://www.nycmarathon.org/volunteer.htm

Desde sempre, eles têm no voluntariado a base das ações operacionais e TODAS as áreas do evento, inclusive a médica, são formadas por voluntários. E afirmamos, são eles que fazem a diferença e o clima do evento.

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Nos três ou quatro dias que antecedem a maratona e principalmente no dia dela, é um esquema de guerra pois todos os números são grandiosos. Só para balizamento, são esperados em 2010, mais de 50mil corredores inscritos.

Todos os anos são mais de 100 mil corredores do mundo inteiro inscritos na loteria promovida pelo clube e só alguns sortudos são os contemplados para fazerem a inscrição. Os estrangeiros ainda podem fazê-las através da operadora de turismo oficial que o clube de corredores elege para tal.

caifr_rdax_225x225O evento acontece sempre no primeiro domingo do mês de novembro e no sábado, só para os estrangeiros, acontece um trote (que é outro evento pois chegam a ter 10mil corredores participando) com largada no estacionamento da ONU e chegada no Central Park junto ao Tavern On The Green, imóvel de estrutura rural gótica que foi concebido para ser em 1.870 um local para abrigar ovelhas e que a partir de 20 de outubro de 1.934 tornou um restaurante, deslumbrante até hoje. Lá também, há 39 anos, é o local de chegada da maratona.

flb_rdax_225x225[1]Me desculpem se vou e volto um pouco na historia falando da maratona e dos voluntários, mas eles se misturam fortemente. Não há como falar de um sem falar de outro. Num próximo post, já que estamos próximos a 39º edição, conto com mais profundidade e detalhes o que sei da Maratona de NY e o que significa participar dessa prova. Por hora o que interessa é deixar claro que hoje e sempre o sucesso dela se deve ao fato de ter um diferencial de extrema importância – a atitude e o envolvimento das pessoas. vols6_rdax_225x225

Não estou aqui para fazer apologia ao modo de ser americano, mas é que invejar o clima que as pessoas colocam no evento. Eles são o diferencial.

Sem contar os voluntários do antes, durante e pós prova, são, no dia da prova, dois milhões de pessoas que estão em todo trajeto (mais presentes na primeira avenida e no Central Park) incentivando o tempo todo os corredores, sejam eles os primeiros ou os últimos. Em cada Distrito e a corrida passa por cinco, saem às ruas milhares de pessoas “armados” com suas baterias e guitarras, equipamentos de som, chocolates, passas e frutas para abastecerem e darem energia aos participantes.

É um receptivo que encanta a todos os participantes.

Uma festa que o povo proporciona e não tem nenhuma ligação com os organizadores. Eles Fazem e São a Festa!

vols7_rdax_225x225Hoje, seja qual for a distancia do percurso, afirmo que nós brasileiros damos um BANHO DE ORGANIZAÇÂO em todas as outras provas do mundo.

Quem já participou em algum evento no exterior sabe que tenho razão.

Nossa qualidade nos produtos e cuidados gerais, nesses “poucos anos” de execução de corridas de rua, são hoje, de deixar qualquer órgão oficial mundial de boca aberta. Somos os melhores e ponto final.

O único item que ainda ficamos a desejar e esse é na minha ótica o diferencial principal do sucesso deles, Maratona de Nova Iorque, e que dá de 1000 a 0 em qualquer outra prova no mundo afora, são os voluntários e a participação maciça das pessoas na rua no dia do evento.

vols5(1)_rdax_225x225Mas, nós chegamos lá. Devem ter mais casos, mas eu conheço e cito aqui dois exemplos reais, que são pessoas que não fazem parte de nenhuma organização de prova e agem por conta própria pelo prazer de colaborar, dar motivação e energia aos participantes.

Um que já citei em post passado que é a TURMA DO FIORE na Maratona de São Paulo. Eles, há anos “tomam conta” do km36 e oferecem por iniciativa própria a todos os participantes que por lá passam frutas, passas e muita energia.

Outro de igual teor que presenciei e “usei” este ano na Maratona do Rio, não lembro em que Km, havia uma turma oferecendo frutas e tudo mais.

Existem, e esses fatos também conto em outra oportunidade, voluntários que fazem parte da organização das provas como o Dr. Milton Mizumoto, o Seba que é um dos guias voluntários de pessoas que precisam de cuidados especiais e também um outro cara muito especial e dedicado que, como voluntário há mais de 15 anos preside e é a alma de uma entidade de fomento ao esporte. Contarei e citarei também vários situações de como voluntários, como Eu, se tornaram profissionais na área onde se dedicavam, mas essas também são histórias que ficam para outra vez!

Por hora fica aqui o meu abraço aqueles que tem vontade e participam em ações como voluntários das mais variadas formas.

Voluntários – Esses são caras são o máximo e Yuri você, pela atitude, é demais!

Até a próxima e Boas Corridas.

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4 Respostas to “Por causa da Yuri, lá vem história….”

  1. Ivan Galiza Says:

    Caro alfredo,
    parabéns pela sua continua imersão e divulgação das coisas da corrida.
    Graças a pessoas como você a corrida “pegou” e está pegando entre as pessoas.

    Um grande abraço
    baci
    Ivan

  2. Claudia Says:

    Bem interessante essa matéria sobre voluntariado em corridas!! Já fiz trabalho voluntário com crianças e idosos, mas toda corrida que vou observo o pessoal desde a entrega dos kits, os que ficam no percurso motivando (e que muitas vezes tãao menos motivados que os corredores), os que distribuem água, os que entregam medalhas e frutas no final. É um trabalho que deve ser muito gratificante, só me deixa dividida pq pra ser voluntária teria que abrir mão de correr… então quem sabe em provas maiores que ainda não estou apta a participar possa colaborar. Já tentei me inscrever pra voluntária da Maratona de NY, mas não estão mais aceitando inscrições!! Quem sabe pro Iron Man…

    • donadio Says:

      Cara Claudia
      Em todos os eventos de corrida de rua no Brasil, todo o STAFF é pago ao contrário que existe em diversas maratonas (principalmente as americanas e de fato na de NY.

      Por aqui, não existe trabalho voluntário neste segmento, salvo um ou outro caso muito especial e particular de pessoas que realmente se interessam por estar presente na ação.

      Estou sendo injusto generalizando principalmente se levarmos em conta o nosso primeiro evento infantil onde a maioria do staff eram de voluntários (pessoas mais proximas que pediram para participar e foram extremamente gentis, motivadas e divertidas), mas acreditamos que por não serem voluntários dos Staffs das corridas de rua no Brasil não exista entusiasmo e motivação na entrega dos produtos.

      Quanto a ser voluntário em NY é preciso ficar atenda logo após o evento para as datas de abertura de inscrições para ser voluntário. Acompanhe no site deles e se conseguir me conte, pois seria muito interessante contar a todos a sua experiencia.
      Boas Corridas

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