CHOLLY – UM ANJO HOLANDES EM NEW YORK CITY MARATHON 2009.

Continuando nosso papo do ultimo post:

– Mais a noite, no sábado (19/12), na casa da Cris e do Silvio, nós da equipe Pé Na Pista nos reunimos para finalizar 2009 oficialmente.

Rolou muita conversa boas risadas, pizzas acompanhadas de um bom vinho ou cerveja ou suco ou o que cada um escolheu. Teve gente que tomou de tudo 🙂  

Infelizmente alguns do grupo já estavam distantes ou não puderam comparecer e participar em virtude das confraternizações de final de ano, mesmo assim haja histórias, piadas e cantoria da dupla Beto & Silvio com a participação especial do Paulo Cafa na percussão.

Mas, o ponto alto ficou mesmo por conta da SAGA DO LULU que contou sua participação na Maratona de Nova Iorque 2009 e este é hoje o real motivo do nosso post, pois MAIS UMA VEZ vamos ver como é diferente o corredor de rua.

Vamos a ela:

– O Luciano Costa é um jovem senhor com sessenta e poucos anos e sempre teve como principal atividade o jogo de tênis. Não sei como ele partiu para as corridas, mas lembro muito bem da primeira vez que o vi correndo na USP (faz seguramente mais de seis anos) e naquela época fiquei surpreso, pois conhecia o Lulu (de longa data) como tenista do Alphaville Tênis Clube. E ficou por ai, pois não conversamos apenas “cruzamos” correndo, nos cumprimentamos e ponto.

O tempo passou e não é que uma bela manhã lá estava o Seu Luciano Costa, na pista em Alphaville, treinando com nosso grupo! E mais, com objetivo de fazer algumas Meias Maratonas.

Achei o máximo, afinal era mais um cara legal para o grupo e papo vem, papo vai, só ai soube que ele teve um problema sério cardíaco inclusive com cirurgia e todas as válvulas e acessórios necessários para que continuasse mais tempo entre nós. Cá entre nós, acredito que depois do sucesso da cirurgia e por conselho medico veio à incrível e irresistivel “vontade” de correr !

Bom, o ano passou e por diversas vezes cruzamos com ele aos sábados na VIA PARQUE. Luciano sempre muito compenetrado e rotineiramente sozinho, cumprindo sua planilha!

Nunca perguntei, mas acredito que ele com ritmo e objetivo diferente dos nossos, preferia aos sabados (tradicional dia de longões) fazer suas quilometragens dentro do que lhe era possível. Admirável atitude já que nós corredores sabemos muito bem que não é tarefa fácil correr longões sozinho seja com tempo agradável, debaixo de sol, chuva ou frio. Ponto para o Seu Luciano ! 

Aqui abro um parenteses para afirmar que um dos beneficios da corrida é, dia após dia, dar para seus adeptos a força mental necessária de seguir em frente focado e determinado a atingir seus objetivos. Esse “treino”, serve para terminar uma maratona e é um aprendizado para a vida. 

Continuando: – Um pouco antes de novembro, em um dos nossos encontros na pista, ele disse que estava de malas prontas e ia correr a Maratona de Nova Iorque. Esse era o seu grande sonho, estar lá participando na mais festiva prova do mundo, mas faria a metade da prova ou no máximo iria até os 30K, pois era o que seu medico tinha liberado e o combinado entre ele e o técnico Marquinhos.

Começa a maratona e Luciano vai curtindo passo a passo, milha a milha o prazer de correr em Nova Iorque. Lá pelo 6, 7 ou 8 km encosta do seu lado uma jovem holandesa de nome Cholly, com 27 anos que diz que gostaria de correr com ele já que ela o observara há alguns kms e percebeu que naquele ritmo ele poderia ajudá-la a completar a prova. Era o ritmo dela! 

Nesta hora a solidariedade fala mais alto e sem pestanejar e como é rotineiro em todo corredor lá seguem os dois correndo e papeando, papeando e correndo.

O tempo passa e Luciano percebe que os 21 km ficaram para trás e feliz comenta com a jovem que está muito bem e que vai até o km 30 que é o seu objetivo. Ela diz que ele poderia ajuda-la e ir com ela até encontrar o pai que estava na rua oitenta e qualquer coisa, esperando para dar um “congratulation”. Nessa hora o Luciano fez as contas e percebeu que o local estaria seguramente além do km 30 e sem comentar nada, tocou em frente.

Surpreendentemente passou o pai da jovem e pensou “já que estou aqui vou devagar até onde der”. Tocou em frente e mesmo sem a jovem holandesa a tiracolo finalizou a prova com honrosas cinco e horas e lá vai pedrada!

Uma façanha para o nosso jovem safenado de sessenta e poucos anos que sonhará completar apenas 30.000 dos 42.195 metros.

Você que é corredor pode imaginar a emoção dele ao cruzar o pórtico de chegada. Com certeza uma visão única que ficará guardada para o resto da sua vida e servirá de estimulo para superação de outras situações tão desgastantes como essa.

Os dias passaram e o Luciano volta para o Brasil para a rotina diária e abrindo seu email encontra lá uma mensagem da organização da prova: – eles queriam saber se poderiam passar o email dele para a Cholly, pois ela queria saber do paradeiro do corredor de cabelos brancos, brasileiro de nome Luciano que esteve com ela na maratona.

Não é o máximo a atitude dela?

É nítido ver a emoção que o Luciano sente ao contar a história. Ele sabe que é um privilegiado, pois teve um dia de sua vida a Cholly – o anjo holandês – correndo ao seu lado ajudando-o a finalizar a Maratona de Nova Iorque.

Luciano Costa – um sobrevivente com 42.195 metros no coração! 

FELIZ ANO DE 2010 A TODOS !

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