Publicando o Jordão !!!

Caros, sabemos que os leitores do nosso blog por serem corredores e freqüentadores de eventos de corrida que rolam pelo mundo, tem perfil e estilo de vida diferenciado, visão bastante ampla não só em relação à saúde, mas também como pessoas focadas, objetivas, com atitude e perseverantes, sabem muito bem separar o joio do trigo.

Afirmo isso, pois essas “qualidades” são inerentes aos que praticam atividade física freqüente, intensa e em virtude dos treinos longos semanais de 20, 25, 30 ou mais km tem horas e horas de introspecção com seus pensamentos e reflexões remoendo na cachola até o final do treino quando, alem do bem estar fantástico, saem para a vida com as idéias mais claras.

Por conhecer bem esse processo e os corredores freqüentemente por aqui falamos, além das corridas, em voluntariado, ações do bem, descrevemos comportamento, atitudes etc. e tal e hoje vamos publicar um artigo escrito por Ricardo Jordão Magalhães que não sei se é ou não corredor, mas um craque no teclado, ns pensamentos e colocações.

O artigo abaixo, serve como uma luva para o momento atual. Vamos a ele, que vale a pena!

Desobediência Civil.
 “Mesmo votar em favor do direito não é fazer coisa alguma por ele. As coisas não mudam; nós é que mudamos.” Henry David Thoreau

Na esquina da Rua Tuiuti com a Marginal Tietê em São Paulo você encontra uma loja que vende móveis para casas de campo, jardins e afins. A 200 metros da loja você tem a entrada principal do Parque do Piqueri. O parque tem 97 mil metros de área verde onde todos os dias milhares de moradores da zona leste utilizam para energizar as suas mentes e corpos. O parque como todos os espaços públicos desse Brasil tem carência de muitas coisas, falta de tudo, inclusive bancos para você sentar e apreciar a beleza do parque.

Digamos que você acordou hoje a fim de ajudar o Parque do Piqueri a aumentar o seu patrimônio público. O que você poderia fazer?

Você poderia simplesmente ir até a loja que fica em frente ao parque, comprar meia dúzia de bancos de jardim e solicitar a sua instalação nas áreas mais necessitadas do Parque do Piqueri. Em poucos dias você mesmo conseguiria perceber e vivenciar o impacto que a sua pequena colaboração teria sobre a alegria dos freqüentadores do parque.

Entretanto, você seria preso se tentasse instalar um banco no parque.

Você, civil, não pode fazer nada pelo espaço público sem pedir a benção de algum secretário administrador gerente de diferentes órgãos públicos.

A instalação de um simples banco em um parque da cidade tem que passar por uma comissão de alguma secretaria municipal, que vai levar a solicitação para algum escritório administrativo estadual, que vai pedir dinheiro ao governo federal para daqui a alguns anos executar a idéia e implementar os bancos no Piqueri.

O mais triste de tudo é que o dinheiro que o governo federal libera para as cidades não foi gerado pelo governo federal. O dinheiro foi gerado pelos próprios cidadãos das cidades que tem que pagar impostos e remeter para um orgão centralizador que depois devolve o dinheiro para a cidade que o gerou.

Eu acredito que eu não preciso explicar para você que nessas idas e vindas, entre tantas aprovações, canetadas e caciques envolvidos, a verba vai desaparecendo.

Eu também não preciso te dizer que se o projeto de adição de bancos no Parque do Piqueri fosse realmente importante para alguém, o projeto viraria promessa de campanha de algum candidato a vereador, deputado, senador ou presidente desse país.

Se a obra de ampliação dos bancos no Parque do Piqueri desse Ibope no Big Brother, em alguns anos você veria um grande cartaz fincado no parque dizendo, “Governo Federal banca o projeto dos bancos do parque. Governo Federal, trabalhando por todos. Blá blá blá”.

Nós estamos apenas alguns meses da oportunidade de escolher o próximo presidente do Brasil. Dilma, Serra, Marina, Michel Temer, Ciro, o Bode do Zoológico, o Zé da Borracharia, todos eles são candidatos a presidente.

Qual premissa você vai usar para escolher o seu candidato?

Milhões vão optar pelo bicho que prometer acabar com todos os males das suas vidas.

Milhões vão escolher o candidato que tem plano para acabar com a violência, com o desemprego, com a falta de saúde, educação, moradia, alimentação, crise ambiental e sei lá mais o quê.

Milhões de brasileiros ainda acreditam que a melhor forma de governo é aquela que tem um governo atuante gerando empregos, segurança (de todos os tipos) e licitações públicas.

Por conta disso, o Brasil nunca teve tanta gente procurando emprego público. Os cursinhos para empregos públicos estão lotados. Os livros sobre como conseguir emprego público estão esgotados. O número de candidatos por vaga pública nunca foi tão grande. Milhões de brasileiros estão optando nesse momento por uma maneira segura de viver mamando nas tetas do estado.

Esse Brasil, definitivamente não é o Brasil que eu quero deixar para os meus filhos. Eu não trabalho 24 horas por dia 7 dias por semana para ver um país de cidadãos complacentes à espera de uma solução do presidente, do governador ou do prefeito.

Diferente do que a maioria pensa, eu acredito que “O melhor governo é aquele que menos governa!”.

O melhor governo é aquele que intervém menos, limita menos, dita menos leis e obrigações.

Os defensores do poder público estão dizendo nesse momento que o Capitalismo precisa de regulamentação. Mas enquanto somos regulamentados até a alma, quem regulamenta o presidente e o governo?

Quem disse que o governo deveria ter mais poder que a sociedade civil?

Quem disse que o Ministério das Cidades entende mais de leis do que a própria OAB?

Imagine viver em uma sociedade onde você deu poderes a um ser humano ditar as leis que regem a sua vida. Ele é um ser humano, corruptível, sujeito a criar algum tipo de sacanagem para beneficiar a si próprio e os amigos. Essa sociedade é a sociedade em que você vive.

Dias atrás eu estive em Nova Iorque. Nova Iorque é o berço de milhares de idéias que regem hoje a sua vida, idéias que você nem faz idéia que nasceram por lá, mas nasceram.

Você, bairrista, torcedor da seleção brasileira de futebol, pode não acreditar em mim, e continuar a achar que vive em um país maravilhoso cheio de idéias brilhantes e seres humanos calientes, mas, infelizmente, depois que terminar a Copa do Mundo, e você guardar a bandeira do Brasil no fundo do armário; e voltar os olhos para as próximas eleições para presidente, talvez caía alguma ficha na sua cabeça.

O momento mais emocionante da minha viagem a Nova Iorque foi quando passeando pelo Central Park em um dia ensolarado de maio , eu me vi frente a frente com um poster que dizia, “O que nós fariamos sem a sua Doação?”.

Nova Iorque é a centro do universo para o país mais poderoso da história da humanidade. O Central Park é o parque central da cidade, famoso em todo o país, teoricamente uma grande oportunidade eleitoreira para o Bush, Obama, Clinton, Giuliani, Bloomberg e todos os outros candidatos falarem que ELES são responsáveis pela sua preservação e desenvolvimento.

Entretanto, a sociedade civil não deixa os políticos usarem o parque como plataforma política. Quem toma conta do Central Park é o cidadão nova iorquino . O Central Park não precisa da boa vontade da Secretaria de Jardins de Nova Iorque para se desenvolver; quem cuida do parque é o Central Park Conservancy.

“O Central Park Conservancy foi fundado em 1980 por um grupo de dedicados líderes filantropos civis. Eles estavam determinados a terminar com o dramático declínio que o Central Park experimentou nos anos 70 e restaurá-lo ao seu esplendor do passado como o principal espaço público dos EUA. Hoje, a missão do Conservatório é restaurar, gerenciar e preservar o Central Pak em parceria com o público para a a alegria das presentes e futuras gerações.”

Tudo de bonito que você vê no Central Park é mantido e desenvolvido por PESSOAS e não por fundações ou ONGs que novamente vão se beneficiar de alguma maneira com o marketing da coisa toda. O principal lago do parque, por exemplo, é mantido pela família da Jaqueline Onassis – sem qualquer referência às empresas da sua família. O “Strawberry Fields”, um imenso espaço verde dentro parque, é mantido por Yoko Ono em homenagem a John Lennon.

Eu sei, tem que ser herói para viver em um país em desenvolvimento como o Brasil, em uma cidade maluca como São Paulo com seu trânsito caótico, custo de vida alto, competição acirrada, e ainda encontrar tempo para se envolver com uma causa que não gera dinheiro algum para quem se envolve.

Mas, a vida de todos nós será muito mais fácil quando uma quantidade imensa de pessoas levarem suas vidas baseadas nos mais altos padrões de convivência, respeito mútuo e valores morais. Para a cultura das pessoas mudar para melhor nesse país, as pessoas precisam ser expostas diariamente a uma quantidade imensa de exemplos consistentes feitos por milhares de pessoas. Não basta o exemplo do pai, não basta o exemplo de um programa na televisão falando sobre coisas positivas, as pessoas precisam ver perspectiva nas pequenas coisas do seu dia-a-dia; por exemplo, no parque público que elas convivem todos os dias.

Imagine se o Parque do Piqueri fosse residência de milhares de mensagens positivas doadas por milhares de cidadãos que vivem na Zona Leste. O Parque do Piqueri não seria um lugar inspirador para frequentar?

O Central Park em Nova Iorque tem 3,4 km2 de área. É um oásis dentro de Manhattan. Ao contrário do Parque do Piqueri que fecha as 18:00hs, o Central Park não fecha nunca.

Ao contrário do Parque do Piqueri que tem meia dúzia de bancos, o Central Park tem quase 10 mil bancos para você sentar e apreciar a leitura de um bom livro.

Além de muito bem conservados, os bancos do Central Park trazem lindas mensagens gravadas em belas placas de metal escolhidas pelos indivíduos que estão conservando cada banco.

Hoje são quase 3 mil bancos conservados por pessoas que moram na cidade. Filhos compram bancos para homenagear os pais por terem lhe proporcionado uma vida maravilhosa, maridos apaixonados declaram seu amor eterno as suas esposas, centenas de cidadãos comuns compartilham anonimamente mensagens de esperança em bancos que eles mesmo estão bancando com dinheiro do próprio bolso.

Digamos que você more em Nova Iorque e tenha vontade de ajudar o Central Park a aumentar o seu patrimônio público. O que você poderia fazer? Ligar para o Central Park Conservancy, apontar o banco que você quer conservar, dizer onde você quer colocá-lo, ditar a mensagem que deseja imprimir no banco, e pronto, em poucos dias você passa a ser dono de um banco no maior parque público dos EUA.

O “pobrema” todo dessa situação, como diria o cúmpanheiro presidente, é que o paternalismo brasileiro MATA na raiz toda e qualquer iniciativa do indivíduo brasileiro em criar um mercado específico, seguir uma vida alternativa, ser ele mesmo. O paternalismo brasileiro infiltra na cabeça das pessoas um modelo único centralizador ditado por um único partido, por uma única cidade, por uma única igreja e religião, por um único canal de televisão, por uma única novela, por um único livro, MATANDO a criatividade de milhares de brasileiros que estão tentando construir alternativas de Vida.

As eleições e a Copa estão aí. Nada vai mudar. Se alguma coisa vai mudar, ou está mudando, é porque alguns indivíduos desobedientes estão levando pedaços do Brasil para frente.

Seja um deles.

NADA MENOS QUE ISSO INTERESSA.

QUEBRA TUDO! Foi para isso que eu vim! E Você?

Ricardo Jordão Magalhães
E-Mail e Messenger: ricardom@bizrevolution.com.br
Twitter twitter.com/bizrevolution
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www.bizrevolution.com.br
BIZREVOLUTION

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