1.999 na África do Sul

Essa história da Copa do Mundo de Futebol em 2.010 ser na África do Sul me fez recordar que 11 anos atrás (1.999) estive por lá vivendo uma aventura muito especial e dai para remexer nas minhas coisas foi um segundo, pois queria relembrar com detalhes, vendo as fotos, a medalha e tudo mais. Como na época, escrevi uma matéria para algumas revistas, fui atrás dele para relembrar tim-tim por tim-tim colocando aqui a nossa “SAGA”. Como é quase certo que quem está ai desse lado, sentado lendo agora essa materia, é corredor e ou triatleta e como tal gosta de desafios, superações e ações que faz a gente se sentir vivo, portanto vai se divertir com o relato.

Então, vamos ao papo: – Fomos o primeiro grupo de corredores brasileiros a estar em Comrades Marathon – Africa do Sul – e isso, ao menos para mim, é bastante gratificante não só porque depois daquele ano e incentivados pelo fato, vários corredores se aventuraram participando das edições seguintes, mas principalmente pela forma e cuidados que as nossas ações em 1.999, foram preparadas mostrando que a corrida de rua tem como um dos seus pilates o relacionamento e o convivio entre pessoas de raça, credo e personalidades heterogênias.

Participar de Comrades é uma aventura audaciosa e tenha certeza dá um prazer enorme tê-la no curriculum. Como diz a propaganda de um cartão de credito, participar da aventura é muito bom, mas com um grupo de amigos, NÃO TEM PREÇO.

Este relato mostra bem que qualquer que seja o desafio na vida profissional, familiar ou esportiva, é “realizável” se tivermos determinação e principalmente, se depender só de nós.

No relato abaixo procurei colocar, em cada um dos estágios e etapas, os meus sentimentos e humores.Então, vamos lá porque a história é boa, real e direto da fonte.

Boa Leitura!

O que pode reunir pessoas tão diferentes como um descendente de português, outro de italiano, dois de japoneses, um de árabe, um inglês, um afro, um húngaro e um autentico brasileiro, destrambelhado e metido à triatleta que participou do IronMan em 1.998 e tem um pino no calcanhar?

Resposta:  “Comrades Marathon”.

Isso mesmo, um grupo de corredores amadores tão heterogêneos: uns empresários, outros profissionais liberais que acreditaram e seguiram em frente movidos pelo ideal de superação e vontade de compartilhar, com amigos, momentos muito especiais.

Como Nasceu a Idéia

Num sábado a tarde, em meados de novembro de 98, estava tentando encontrar um programa decente na TV, quando zapeando, me chamou atenção um documentário sobre uma corrida.

Era a historia de “Comrades Marathon”, uma ultra-maratona na África do Sul, com um percurso de 89,9 km, em uma estradinha estreita que ia de uma cidade com um nome esquisito a outra. Já ouvirá falar dessa corrida, através do Márcio Milan que, em 1.997 participou sendo, até então, o único brasileiro a completar a prova.

Depois de assistir atentamente o documentário, fiquei interessado, pois a prova me pareceu animadíssima, mostrou uma quantidade enorme de pessoas durante todo percurso, o que me fez lembrar a Maratona de Nova Iorque, prova tão querida por todos nós maratonistas.

Mas essa tinha um probleminha: uma diferença de 48 km a mais do que uma maratona. Seriam 90 km de corrida, será que eu seria capaz?

O Apoio do Técnico

No dia seguinte ao encontrar com o Branca, meu técnico na época, comentei o documentário e perguntei qual era a sua opinião quanto a minha participação. Ele torceu o nariz, deu uma olhadinha meio que de reprovação e mandou: – “Tem certeza que é isso mesmo que você quer fazer?”

Deixada a dúvida no ar, saímos juntos com nosso grupo de corredores pelas alamedas do Parque do Ibirapuera, como era naquela época a rotina aos domingos.

Uma hora depois, terminado nosso trote, fui pra cima dele: -“E ai, o que você acha? consigo ou não?”

Ele mandou: – “E isso que você quer? Por acaso você sabe o que é correr uma ultra-maratona? Sabe que vai ter que deixar um monte de coisas de lado? Você está mesmo afim?”

Depois de alguns minutos de papo, decisão tomada: – “Se você me ajudar, eu sei que posso terminar a prova”.

Ele: – “Se e o que você quer, vamos em frente, mas olha vai ser pra valer e mais, se eu puder, vou junto com você”.

O Apoio Médico

Imediatamente, fui procurar meu amigo e médico, Milton Mizumoto, pois queria saber a opinião dele e ele não só apoiou como também aderiu desde que nos fizéssemos à coisa certa, ou seja, iríamos montar um projeto e nos cercaríamos de todos os cuidados possíveis para que pudéssemos ter sucesso na empreitada.

As Adesões

Incrível – passadas algumas semanas éramos 13 corredores: alguns já amigos, outros conhecidos apenas das corridas.

Liderados pelo Milton Mizumoto, coordenador médico do projeto e que já tinha providenciado a fisioterapeuta, os laboratórios de analises clinicas, o local do teste ergoespirométrico, a nutricionista, etc., fomos em frente.

Num sábado à tarde, marcou-se a primeira reunião para o grupo se conhecer melhor e se alinhar com as estratégias dos treinos, metodologia, o quanto cada um deveria se dedicar, etc. e tal.

Nesse dia, decidiu-se também que os exames e avaliações, treinos e as outras ações, como pacote de viagem, calendário, etc.. começariam a partir de 16 de janeiro, cinco meses antes da data de prova. E assim foi.

Os Treinos e os Preparativos

Por indicação do Márcio Milan que, entre outras dicas, relatou-nos dentro da sua ótica o que era participar de Comrades, começamos a “correr” os longões dos sábados na Rodovia dos Bandeirantes.

Saiamos por volta das 6:30 / 7 horas da manhã do km. 28 em direção ao interior. Com carros de apoio transportando nossa alimentação, hidratação, roupas e tudo mais, cumprimos nossa planilha de treinos que, entre outras distancias, tinham longos de 50 km, 60 km, 65 km e 70 km de uma só vez.

Não foi fácil, mas como o grupo estava bem coeso, foi muito divertido, principalmente quando os treinos terminavam no sitio do Charbel em Indaiatuba, com direito a piscina, frutas, sucos e almoço. Ficávamos lá jogando conversa fora até o final da tarde, inicio da noite.

Nesses treinos, a cada 3 km percorridos, nós nos reabastecíamos com água, isotônico, refrigerante, bolachas de água e sal, passas, bolos, laranjas, bananas, etc. Cada um com seu kit individual de sobrevivência em cada um dos 03 carros de apoio.

Em paralelo, aconteciam exames laboratoriais, ressonância magnética, fisioterapia, consultas a nutricionista, ergoespirométrico, etc. e os resultados foram alvo de estudos do grupo dos profissionais envolvidos e mais tarde tema de palestra.

Durante os treinos, alguns se retiraram do projeto por motivos particulares ou por falta de condição física adequada.

Após algumas semanas, ficou definido o grupo, um verdadeiro “Exército de Brancaleone” composto pelo Alfredo, Branca, Charbel, Coelho, George, Milton, Nelson, Peter e Zeca.

A Viagem: 10 de junho de 1.999

Lá estávamos, no aeroporto de Cumbica, embarcando com destino a África do Sul (tivemos até bota-fora dos nossos amigos mais próximos).

11 de junho

Chegamos a Durban, cidade a beira mar, ao sul de Jonhanesburg, bastante simpática, muito parecida com Santos (litoral de São Paulo). Ficamos hospedados em um hotel em frente à praia, bem próximo ao pavilhão da feira da maratona e ao Estádio de Rugby, aonde seria a chegada da prova.

Nesse dia, demos uma corridinha ao final da tarde.

A viagem não tinha sido “aquela coisa”. O vôo atrasou 01h30minh. Saímos de São Paulo, paramos em Buenos Aires, onde ficamos em trânsito por 01h30minh. mais ou menos (eles limpam, abastecem o equipamento e trocam a tripulação); só após isso tudo é que partimos para Jonhanesburg. De lá, mais aeroporto, agora fazendo uma conexão. Finalmente chegamos a Durban. Além disso, coloque ai uma diferença de fuso (5 horas para frente) e tenho a certeza que vcs também acharão que não é uma viagem fácil, certo? Mas, como não ha outro jeito, vamos em frente e ponto final.

Coincidentemente, no mesmo vôo e no mesmo hotel que o nosso, estavam a Maria Auxiliadora e o Walmir Nunes, duas feras e profissionais de ultra-maratona, que estavam correndo à convite do patrocinador master da Comrades Marathon.

12 de junho

Fomos conhecer uma tribo de nativos Zulus. Foi legal, mostraram-nos a aldeia, a oca onde moravam os homens e a das mulheres, seus costumes, danças, etc. Interessante. Mais um trote à tarde de 45 minutos, no calçadão da praia e basta de atividade neste dia.

13 de junho

Fomos à feira da maratona. É um pavilhão bastante grande, com diversos stands, com produtos para corredores e outros produtos que não tinham muito a ver com a prova, nem com os corredores, mas estavam lá e nos aproveitamos para ver, conhecer e experimentar e os organizadores da prova, para faturar!

Retiramos os nossos kits, tranquilamente, pois os estrangeiros são atendidos em um local, stand a parte, dentro do pavilhão.

Fomos muito bem recebidos.

O kit continha diversas coisas. Havia a camiseta oficial, uma pasta de plástico com informações da prova, catálogo com os nomes dos inscritos e revistas diversas, havia também, macarrão, arroz, desodorante, balas, emulsão para massagem, etc. etc.

Um parenteses, stand interessante que havia na feira era o das massagens, bastante grande e atendia o pessoal indiscriminadamente. Naquela época, ao menos no Brasil, não era uma ação rotineira.

Ao final da tarde, um trotezinho. Passamos pelo estádio onde seria a chegada, entramos e demos uma breve olhadinha, rapidamente, pois o pessoal que estava trabalhando e “gentilmente” solicitou que nós nos retirássemos.

14 de junho (Começa o martírio)

Pela manhã, fomos fazer o tal tour, que a organização da prova oferece, com exclusividade aos estrangeiros. Saímos de ônibus do Pavilhão da feira e fomos a Pietermaritzburg local, esse ano (1.999), de onde seria dada a largada.

Lá chegando, levaram-nos ao museu de Comrades, uma casa onde ficam os organizadores e o museu com a maquete do percurso, troféus, medalhas, sapatilhas, fotos dos ganhadores, o Green Number Club (clube formado por pessoas que correram ao menos 10 Comrades) etc. Encontramos um Sr. Português (desculpem, mas não lembro o nome) que, muito simpático, se colocou a vossa disposição para ajudar no que fosse preciso. Se em alguma edição de Comrades, vocês lá forem, podem ter a certeza que encontrarão com esse senhor, pois ele voluntariamente, atende aos estrangeiros de língua portuguesa.

Em seguida, de volta ao ônibus, fomos em direção a largada e ao percurso. Eu tinha em mente, que o percurso teria a mesma planialtmetria da Rodovia dos Bandeirantes, ou até menos. Não sei da onde eu tirei isso, mas estava na minha cabeça e ponto.

Que decepção! Acreditem, não há trechos planos. São longas subidas e longas descidas. Intermináveis! Muitas com grandes inclinações, outras com pequenas, mas sempre inclinações. Curvas e mais curvas.

A estrada tem 8 metros de largura e é toda asfaltada. O visual do percurso visto do ônibus é deslumbrante. São vales e montanhas a perder de vista. A vegetação não é muito alta, o que nos permite enxergar a linha do horizonte bastante distante.

Enquanto viajávamos, o guia nos contava casos e aspectos do percurso e da corrida e dava para sentir que todos os presentes estavam, digamos, meio que preocupados, atentos ao percurso e mudos, inclusive nós.

Resultado, ao final do tour, o comentário geral: – Hum… não vai ser nada fácil e eu tenho certeza que todos, como eu, colocaram muitos e muitos minutos a mais em sua previsão de chegada.

Isso me deixou bastante irritado e, literalmente, com dor de cabeça, pois se antes havia dúvida do correr e chegar bem ao final imagine agora depois de ter visto o tamanho do “pepino”. Nessa hora, lá no meu intimo, fiquei bastante arrependido por ter, em alguns momentos durante o treinamento, dado uma “cozinhada” na planilha de corrida e várias “matadas” na musculação e natação. Mas, pensei: – vamos lá, agora é seguir em frente e fazer o melhor possível!

Do estádio onde ocorre a chegada, fomos a pé para o nosso hotel.

Chegando ao hall do hotel… surpresa, lá estavam fazendo check-in o Nelson Mizumoto e Márcio Milan. Pronto, agora sim, estávamos todos lá: Walmir, Maria Auxiliadora, Márcio e o nosso grupo, agora com o Nelson, completo.

Almoçamos e voltamos à feira com os dois recém-chegados. Retiramos os kits deles e fizemos uma última massagem.

O Nelson, apesar de não estar em condição de correr, não agüentou. Como estava inscrito, retirou seu kit e, contagiado pelo clima, resolveu dar a largada e ir até onde o joelho agüentasse. No dia da prova, correu 21 km.

15 de junho

Estava chegando a hora. A programação era a seguinte: não fazer nada, só descansar, pois teríamos que acordar por volta das 2h30 da manhã, para pegarmos o ônibus que nos levaria até a largada.

Foi o que fizemos. Ficamos pelo hotel, ouvindo as histórias do Walmir, da Auxiliadora, profissionais experientes em ultra maratona e jogando conversa fora. Aliás, como jogamos conversa fora. Tenho a impressão que, nesse dia, falamos o maior número de abobrinhas por centímetro cúbico de ar da cidade de Durban. Muito carboidrato, muita água e sucos e risadas até não poder mais !

16 de junho

Chegou a hora.

Como sei da minha ansiedade antes da prova, procurei na tarde do dia anterior dormir um pouco. Isso me ajudou, pois, depois do jantar, apesar de ficar deitado, não consegui pregar o olho.

3h30m. da manhã, depois de um levíssimo café da manha (eu tomei chá com bolachas de água e sal no quarto mesmo), lá vamos nós de ônibus, em direção a Pietermaritzburg.

Primeira boa noticia: a temperatura. Esperávamos algo em torno dos 5 graus e, seguramente tínhamos na largada 10 graus, ficando a temperatura durante a prova por volta dos 18/20 graus centigrados e com nuvens, o que nos favoreceu bastante, mesmo assim, se você tiver pele clara ou não, passe um protetor solar com numeração alta. Pode ter certeza que vai precisar.

14.000 Corredores na Largada

Pontualmente às 6 horas da manhã, em frente ao prédio da Prefeitura de Pietermaritzburg, 14.000 pessoas de várias nacionalidades, a grande maioria africanos, largaram conosco.

Curiosamente, são enumeras as mulheres participando e veja que estou falando em 1.999 e em 90kms.

Após o tiro de largada que lá é um canto de um galo, perdi 3m42s para chegar até o pórtico da largada. Só consegui correr dentro do ritmo previsto, kms à frente, o que me deixou bastante tenso, pois tive que ficar “desviando” dos outros corredores, pessoal o tempo todo.

Logo no começo, enfrenta-se uma descida bastante acentuada e durante o percurso, aquela paisagem que eu tinha visto do ônibus quando fizemos o tour, agora se transformou em asfalto e mais asfalto.

É incrível, eu não consegui ver nada de paisagem, só asfalto, as estações de abastecimento (impossível não vê-las, pois são enorme), as marcas dos kms. e os gritos das pessoas que estão lá nos assistindo e incentivando.

No inicio é terrível, você olha para as placas e encontra lá um “faltam 85 km”, corre, corre, corre… e lá está “faltam 75 km.”. No decorrer da prova, eu procurava imaginar não quanto estava faltando, mas o que eu já tinha feito (“puxa já fiz tantos km”). Depois do km. 60/65, você até esquece quanto tem pela frente e começa a se concentrar na chegada, pensava:… “legal, faltam 25 km”.

A tensão gerada para dosar corretamente a energia e velocidade, o tempo todo da prova, nos consome muito, pois cada um tem seu objetivo a cumprir e é difícil ficar descontraído e isso não é bom, pois quando se corre tenso, as dores aparecem mais rapidamente.

Falando nelas, quando as dores eram demais, eu dava uma paradinha (em pé mesmo) para receber dos voluntários, massagens nas pernas. Parei 03 vezes, a partir do km. 60 e lembrava o que a Maria Auxiliadora e o Walmir, disse para nós na tarde do dia anterior: “Com a dor for insuportável, lembre-se que os outros também estão sentindo dores, portanto, corra mais do que eles, você consegue”. Até hoje, quando os problemas de toda ordem aparecem, lembro dessas palavras e “CORRO MAIS” !

O dia de Comrades Marathon, é feriado nacional e as famílias aproveitam para fazerem seus churrascos ao ar livre na rota da prova. Durante os 90 km do percurso elas gritam e aplaudem o tempo todo, incentivando, passando energia e encorajando os participantes. É muito bom!

A cada 1,5 / 2 km há estações de abastecimento e hidratação, onde os participantes têm a disposição banheiros, água, coca-cola, powerade, pequenas batatas cozidas salgadas, bolachas, laranjas, bananas, chocolates e as massagens. Nessas estações, a concentração de pessoas aumenta consideravelmente, pois, além dos espectadores, encontramos dezenas de voluntários para servir os corredores.

Existem alguns pontos inesquecíveis, como o de uma escola onde tem uma arquibancada e os alunos gritam, batem palmas, cantam e fazem o maior fuzuê. Em outro ponto, ficam dezenas e dezenas de crianças deficientes físicos em cadeira de rodas, assistindo e aplaudindo os participantes; em outro temos alguns grupos de nativos e assim vai durante os 90 km. É gente que não acaba mais!

Uma Chegada Fantástica

A chegada é fantástica. Esse ano se deu na cidade de Durban, ao nível do mar. Em , 1.999, a regra era: – os corredores que conseguem terminar a prova dentro do prazo máximo de 11 horas (hoje são 12 horas) são recebidos dentro de um estádio de Rugby, por um público de 30.000 pessoas que gritam e aplaudem o tempo todo, todos os corredores sem distinção, sejam eles atletas de elite ou ilustres desconhecidos como nós.

O interessante e que quando eles percebem, pelo número de peito ou o das costas que cada corredor deve portar e de cor diferente da maioria e indicador que esse é estrangeiro, gritam mais ainda, mostrando a vibração do povo africano e dando uma lição de receptividade a todos que lá estão. É emocionante e naquele momento um alento apertado na alma e um combustivel a mais para as pernas!

Quanto mais próxima é chegada a hora do prazo limite, mais inflamada fica a platéia no percurso, gritando e incentivando os que chegam “capengando” de cansaço. Nos últimos minutos que faltam para o prazo derradeiro das 11 horas de prova, acontece uma contagem regressiva feita por todo público do estádio puxado pelo locutor oficial da prova.

É um momento de muita emoção para quem assiste e maior ainda para aqueles que, em sua maioria, são ajudados por seus companheiros de corrida, pois sozinhos, mesmo faltando só alguns poucos metros, não conseguiriam dignamente atravessar o pórtico de chegada.

Em 1.999, quem consegue a façanha dentro das 11 horas é premiado com medalha de ouro, prata ou bronze, dependendo do tempo de sua corrida: aos que chegam após as 11h00min horas, infelizmente, se quiserem a premiação terão que se preparar melhor, voltando no próximo ano para tentar fechar a prova no prazo.

O mais espantoso em tudo isso, é que mesmo os que chegam após as 11 horas totalmente esgotados e nada recebendo por seu esforço, ficam contentes de estarem lá, terem terminado a prova e, certamente, no seu intimo, prometem para o próximo ano um melhor desempenho.

O resultado oficial dos brasileiros em 1.999:

Maria Auxiliadora Venâncio, 06h40m18s (4º lugar na geral).

Vanderlei Severiano (Branca), 07h56m36s

Alfredo Donadio, 09h07m06s

Marcio Milan, 09h17m01s

George Gabany, 09h24m17s

Jose Fernando (Zeca da Ztrack), 09h24m17s

Charbel Bechara, 09h43m59s

Celso Silveira (Coelho), 10h20m25s

Milton Mizumoto, 10h21m14s

Peter Strimber, 10h55m05s

Walmir Nunes e Nelson Mizumoto, não completaram a prova.

Decidir correr uma ultra-maratona é tão difícil como correr o primeiro km da vida, mas, quando se tem vontade, disciplina e determinação, não há nada impossível. A poucos quilômetros da chegada

Dentro do estádio, a poucos metros da linha de chegada

No estádio, Branca com a medalha no pescoço e Nelson

Na área vip para estrangeiros, dentro do estádio, aguardando a chegada do Peter (mais de 10 horas depois da largada). Da esquerda para direita: Alfredo, Nelson, Zeca, George, Milton, Coelho, Charbel e Branca.

Chegada em Cumbica, São Paulo. Da esquerda para direita:  Branca e filhos, Nelson, Maria Auxiliadora, Charbel, George, Alfredo, Milton, Peter, Zeca, Coelho e filhos.

Comrades Marathon, com seus 90 km, requer um treinamento criterioso, bastante dedicação, mas acreditem vale à pena cada passo, cada metro de asfalto percorrido.

Sinto-me feliz e emocionado cada vez que vejo as fotos, em especial a da chegada, pois ela traz de volta aquela sensação do dever cumprido, um orgulho de vencedor que tem marcado em minha memória a imagem e a emoção do momento que se cruza o pórtico de chegada.

Espero que você também tenha a oportunidade de viver um momento tão particular e tão intenso. É muito bom!

Até a próxima!

4 Respostas to “1.999 na África do Sul”

  1. Waldemar Franchini Says:

    Alfredo, parabens pelo relato da proeza realizada, juntamente com seus amigos, ao correr os 90 Km da Marathon. Já havia lido seu relato, anteriormente, mas o presente, talvez , por conter mais detalhes, despertou mais minha atenção e me fez
    tentar avaliar, às dificuldades encontradas, para que pudesse realizar essa tremenda façanha e inesquecivel aventura. PARABENS!!!

    • donadio Says:

      Caro Waldi,
      A superação é uma arte e concluir Comrades, um prazer inesquecivel!
      Quem sabe nos proximos anos, se a “caxola” e a “carcaça” ajudar juntamos um bom grupo de amigos e voltamos lá?
      Abraço

    • donadio Says:

      Caro Nato
      Foi é meu heroi! Com certeza “tiro o chapéu” pra vc, pois é fantástica a sua determinação e foco. Em 2011, após completar mais uma COMRADES MARATHON, conquistará o direito ao “GREEN NUMBER” que é uma condecoração a todos que completam dez vezes seguidas a façanha.
      Você será o primeiro brasileiro a ter esse privilégio. Parabéns antecipadamente e Bons Treinos.
      Espero que para fechar com chave de ouro, você consiga seu melhor tempo da década.
      Estarei te acompanhando pelo twitter na façanha!
      Abração e Sebo nas Canelas!
      Faça o bambu gemer mais uma vez em COMRADES MARATHON 2011.
      Alfredo

  2. Nato Amaral Says:

    Parabéns, sensacinal, emocianante!

    E, mais uma vez, muito obrigado por ter feito parte do grupo pioneiro e mostrado essa prova a tantos outros brasileiros.

    Um abraço,
    Nato

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