Não é Religião!!!!

Tenho, por influencia de meus filhos Fábio e Bruno, lido alguma coisa sobre o Budismo e este é nosso assunto hoje.

Inicialmente, fiquei na duvida em publicar algum texto sobre o assunto e se o fizesse em que local do site (dicas ou blog), enfim achei que sim e que seria melhor no BLOG, pois o espaço é mais generoso e aqui Vocês são mais receptivos e abertos a diversos assuntos.

Então, vamos lá:

A minha total ignorância sobre o assunto sempre me fez crer que Budismo era uma religião, mas conversando com meus filhos e por indicação deles lendo um pouco sobre o assunto, entendo agora que Budismo é um estilo de vida, um modo de ser e praticar ações a partir da ótica e ensinamentos que geram atitudes que produzem bem estar individual e, por conseqüência, colaboram e proporcionam o bem estar global.

Inicialmente um papo meio complicado, ao menos para um cara como eu com formação em engenharia civil que passou a vida toda agindo de uma maneira lógica, dentro da minha ótica e objetivos e “sem tempo” para a reflexão. Não que essas novas leituras tenham me modificado radicalmente (aos menos até hoje), mas inumeras vezes me levam a reflexão e daí a um entendimento mais justo em relação aos acontecimentos. Será?

Pelo sim ou pelo não e apesar de saber nada sobre o assunto, gostei e acredito que Vocês, se ainda não conhecem, deveriam conhecer um pouco dessa filosofia, pois é bem interessante.

Por que esse é o nosso assunto hoje?  Porque acredito que corredores são pessoas que agem e estão abertos as boas atitudes, então selecionei e publico abaixo um dos primeiros textos que li com o intuito de dar a Vocês “tratos à bola” enquanto estiverem correndo por ai acompanhados somente dos seus pensamentos.

Leiam e se gostarem, quem sabe na próxima corrida solitária reflitam, sem radicalismo, sobre o assunto.  

Vamos lá?

Boa Leitura e Excelentes Corridas!

Como dar vida às nossas vidas

As Transformações Começam Conosco

Há um antigo ditado japonês:
 “Se houver relacionamento, faço; se não houver relacionamento, saio”.

Um Mestre Zen, no final do século passado, fez a seguinte alteração:
 “Havendo relacionamento, faço; não havendo, crio relacionamento”.

Essa mudança de paradigma é extremamente importante. Devemos também lembrar que criar um relacionamento não significa, necessariamente, obter resultados imediatos, embora muitas vezes estes ocorram.

Novos relacionamentos em padrões antigos perdem seu significado. Precisamos criar relacionamentos a partir de novas maneiras de nos relacionar, de ver o mundo, de ser, de inter ser. Essa nova maneira pode, inclusive, recarregar de energia positiva antigos relacionamentos.

Para descobrirmos novas maneiras precisamos primeiramente desenvolver a capacidade de perceber como estão nossos relacionamentos atuais.

Observe e considere meticulosamente a si mesmo. Perceba como está se relacionando em casa, na rua, no trabalho, no lazer. Perceba como respira como anda como toca nos objetos, como usa sua voz, como são seus gestos e como são seus pensamentos e os não pensamentos. Esse observar não deve ser limitante, constrangedor, confinador. Apenas observe. Como você se relaciona com o meio ambiente, biodiversidade, reciclagem, justiça social, melhor qualidade de vida, guerras, violência, terror, paz, harmonia, respeito, garantia dos Direitos Humanos? Como você e o seu logos se relacionam entre si e em relação aos projetos de sucesso, de lucro, de desenvolvimento e progresso de sua organização?

Como está se relacionando com o mais íntimo de si mesmo, com a essência da Vida, com o Sagrado?

Será que é capaz de ver, ouvir, sentir e perceber a rede de inter relacionamentos de que é feita a vida? Percebe e leva em consideração, na tomada de decisões, a interdependência?

Tanto individualmente, como no coletivo, nossa participação e compreensão como estão? Será que estamos conscientemente vivendo nossas vidas e direcionando nossos pensamentos, ações e palavras para o sentido de mudança que queremos e sonhamos?

Mahatma Gandhi disse: “Temos de ser a transformação que queremos no mundo”.

Geralmente pensamos no mundo como alguma coisa distante e separada de nós, mas nós somos a vida do universo em constante movimento. Podemos até dizer que o mundo somos nós. Nossa vida forma o mundo, é o mundo, não apenas está no mundo. Inclui todas as formas de vida e seus derivados e nos inclui neste instante, instante após instante. Há um monge chinês do século VII, Gensha Shibi, que dizia: “O Universo é uma jóia arredondada. Somos a vida desse universo em constante transformação. Nada vem de fora, nada sai para fora”.

De momento a momento tudo está mudando, nós fazemos parte dessa mudança e podemos escolher discernir qual o caminho que queremos dar a esse constante transformar. É por isso que digo que a transformação começa em nós. Na verdade vai além de apenas começar. É em nós. Nossa capacidade humana de inteligência e compreensão nos permite fazer escolhas. E o que estamos escolhendo?

Outra frase de Mahatma Gandhi:
 “Quando uma pessoa dá um passo em direção à Paz, toda a humanidade avança um passo em direção à Paz”

A minha decisão, a sua decisão pode transformar ou influenciar a direção da mudança.
Há um sutra budista que descreve o mundo como uma rede de inter relacionamentos. Como se fosse uma imensa teia de raios luminosos e em cada intersecção uma jóia capaz de receber essa luz e emitir raios em todas as direções. Qualquer pequena mudança afeta o todo. Cada ser que se transforme em um ser de paz, de harmonia, de ternura, carinho e respeito pela vida em todas as suas formas estará sendo uma mudança viva e influenciando tudo e todos.

Qual o primeiro passo? Conhecer a si mesmo. Conhecer nossos mecanismos.

O que nos afeta, nos incomoda? O que nos alegra? O que nos irrita? Como transformar a raiva em compaixão? Como transformar o desafio em competição leal, justa, empreendedora, enriquecedora? Sem nos preocuparmos com os créditos, se formos capazes de fazer o bem, não fazer o mal, fazer o bem aos outros estaremos transformando nossos lares, nossas amizades, nosso ambiente de trabalho, nossas organizações, nossas cidades, estados, países, nações, mundo… e a nós mesmos… no florescimento da Cultura da Paz.

“Estudar o Caminho de Buda é estudar a si mesmo. Estudar a si mesmo é esquecer-se de si mesmo. Esquecer-se de si mesmo é ser iluminado por tudo que existe. Transcender corpo e mente seu e dos outros. Nenhum traço de iluminação permanece e a Iluminação é colocada à disposição de todos os seres.” (Mestre Zen Eihei Dogen – 1200-1253)

É importantíssimo que iniciemos este “estudar a si mesmo”, já. Cada um de nós que perceber seu próprio mecanismo ficará em controle desse mecanismo e não mais à mercê de seus sentimentos e emoções, desejos e frustrações, puxado, empurrado, espremido e puxando, empurrando, espremendo – envenenados pela ganância, raiva e ignorância.

Imagine um mundo aonde podemos brilhar uns para os outros, sem ódios, mas com carinhoso respeito e terna compreensão. Percebendo nossas diferenças, aceitando a diversidade da vida e juntando nossas capacidades tanto intelectuais como físicas na construção desse verdadeiro Céu, Paraíso, Terra Pura, Shambala de que falam as religiões, todas elas.

Cabe a nós, a cada um de nós criar esse relacionamento de carinho com a vida, de ternura com todos os seres, de compreensão, de sabedoria e compaixão para percebermos o Caminho Iluminado e o Nirvana permeando toda a existência.
Isso é dar vida à nossa própria vida. 

2 Respostas to “Não é Religião!!!!”

  1. Bruno Donadio Says:

    Gostei muito, pai!

    Fico feliz de saber que você está aberto a essa nova forma de pensar e agir, que tanto tem me feito bem. Ter essa iniciativa já é um excelente sinal.

    Que essa filosofia ajude cada vez mais pessoas, vamos trazer essa nova onda de positivismo para o mundo.

  2. donadio Says:

    Corredores são pessoas que tem estilo de vida diferenciado e certamente alguns se interessarão pela filosofia e por consequencia as ações se propagarão.
    Obrigado e Vamos em frente !

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